Publicado em Crônicas

A moda das comidas. Crônicas de sábado.

Por http://www.cartacapital.com.br/Plone/colunistas/albertovilas

Pratos somem da mesa, desaparecem do mapa com o andar da carruagem. Há três décadas não como um arroz de forno, daqueles tradicionais, com um franguinho desfiado por cima e cheio de petit pois. Na era do arroz de forno, chamávamos ervilha de petit pois.

Não sei quanto tempo faz que não como um olho de sogra numa festinha infantil. Lembra daquele docinho de coco amarelo com uma ameixa preta? Ele sumiu da mesa onde ainda resistem firmemente os brigadeiros.

Quem não se lembra daquele pavê feito com camadas de biscoito champagne? Quem não se lembra do manjar de coco com ameixas por cima. E do lombo de porco rodeado de abacaxi e pêssego em calda? Vai me dizer que não se recorda daquela gelatina cheia de cubinhos coloridos?

Pratos também saem da moda. Já foi moda – e chique – servir melão com presunto num jantar requintado para amigos Vips. Como já foi moda o estrogonofe, o arroz à grega, o coquetel de camarão e o canudinho de doce de leite.

Alguns pratos ficam na nossa memória, lá da infância. Não sei se vocês se lembram, mas eu me recordo como se fosse hoje de um pudim feito com pão velho, com uva passa e que, na minha casa, era servido com um fio de mel por cima. Naquele tempo não se falava “fio de mel” mas hoje é bacana. Como bacana é uma palavra antiga mas que voltou à moda.

Mas tem alguns pratos que a gente nem se lembra mais. Semana passada, andando pelo bairro de Pinheiros, aqui em São Paulo, bati os olhos num restaurante desses bem antigões que tinha um aviso na porta: “Hoje: Filé à cubana”. Confesso que a última vez que ouvi falar em filé à cubana, Fidel Castro ainda não tinha feito a sua revolução. É uma lembrança muito remota, de criança mesmo.

O filé à cubana era um prato muito comum em todos os restaurantes do centro da cidade. Era uma época em que não havia pratos individuais, a não ser o PF, que resistiu também bravamente esse tempo todo.

A família ia ao restaurante e pedia um prato só e ele dava pra todos e ainda sobrava. Lembro do meu pai perguntando ao garçom se aquele filé à cubana dava para os sete da família e o garçom, sempre com um bloquinho e uma toalhinha branca nas mãos, respondia.

– Sim, esse prato serve bem sete pessoas.

Claro que cheguei em casa e fui direto ao Google para saber o que é mesmo esse tal de filé à cubana. E encontrei várias receitas. Quando cliquei em imagens, lembrei imediatamente do tal prato. O filé à cubana que nunca mais tinha passado pela minha cabeça é aquele prato que vai um bife à milanesa, arroz, banana também à milanesa, batata palha, uma rodela de abacaxi e umas folhas de alface pra enfeitar.

Lembrei direitinho do prato que comíamos no centro de Belo Horizonte, geralmente aos domingos. Mas confesso a vocês que já fui a Cuba duas vezes, comi camarões deliciosos nos Paladares, tomei até Coca-Cola mexicana, mas não vi em restaurante nenhum uma placa escrito: “Hoy: Filé à cubana”. Acho que a moda passou.

 

Link para a página original.

Filé à Cubana.

Autor:

Gosto de cozinhar porque acho que existe algo de mágico e misterioso no ato de escolher ingredientes simples, disponíveis na natureza a milhares de anos, e transformá-los em uma comida que encanta, primeiro pelo aroma, depois pela cor e por último pelo sabor. Essa alquimia é capaz de nos surpreender a cada vez que repetimos uma receita. Exemplo: Peixe fresco, com molho de ervas, guarnição de legumes e purê de batatas. Simples, fácil e perfeito.

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